domingo, 16 de setembro de 2012

Fête de l'Humanité 2012


Uma espécie de Avante! cá do sítio... mas um bocado maior. De destacar antes de mais o preço: 20€ pelos 3 dias. Em seguida os transportes, com maior frequência de metros na linha mais próxima do festival e autocarros tipo 750 a uma média de 14 por hora a fazerem o trajeto do metro à entrada do festival, gratuitos.

Infelizmente logo na entrada houve um problema com os scanners. Ao fim de mais de meia hora um grupo de jovens mais impaciente decidiu entrar... à força! Depois de gritarem "on va pousser! on va pousser!" empurraram mesmo e foi tudo à frente. Quando os seguranças foram lá acabaram por deixar as outras filas todas descobertas e foi a debandada geral. Acredito que todos os que estavam ali tivessem bilhete, portanto diria que ninguém entrou à borla, mas vai ser mais difícil para fazer a contabilidade.

Por fim, de registar também a tenda do PCP que no último dia aperaltou-se com um sistema de som, e entre pastéis de bacalhau, pães com chouriço e super bocks, ressoou A Carvalhesa. A tenda dos belgas tinha mais gente a comprar gauffres e batatas fritas, os espanhóis dominavam o quarteirão no campo do barulho, mas o cheiro que se sentia na Avenue Che Guevara na Village du Monde era a sardinha assada!

14/09

Shaka Ponk

A virose do momento, pelo que a rapaziada nova apareceu em força. Uma mistura de dance pop rock e eletrónica. É um bocado "fast-music" (analogia com "fast-food"), mas deu para fazer ali uma festarola de hora e meia.

New Order

Avanço já aqui que foi o melhor concerto que vi no festival. A entrada em palco foi feito ao som do clássico Ecstasy of Gold de Morricone (clássico do The Good The Bad and The Ugly), foi bonito. Mas a coisa só ganhou algum sabor quando se ouviu Isolation - uma versão dos Joy Division, como eles próprios fizeram questão de referir. Mas os New Order também têm os seus próprios trunfos e transformaram o recinto numa pista de dança, primeiro ao som do clássico True Faith, e depois o não menos clássico Blue Monday. Depois, o tradicional encore e "só temos tempo para mais uma canção... mas é uma grande canção!" e no ecrã no fundo do palco iam passando imagens do Ian Curtis enquanto os New Order tocavam, legitimamente, a Love Will Tear Us Apart, No fim da canção as imagens foram substituidas por "Joy Division Forever". É bom eles darem às pessoas aquilo que elas querem.




15/09

Dub Inc.

O melhor que consigo dizer deles é que são uma espécie parada no hip-hop e "arabizada" de Da Weasel. E isso não é bom.


Parov Stelar

A grande descoberta do festival! Não conhecia de todo, só fui ver para garantir lugar para ver tranquilamente Patti Smith. Mas isto ao vivo é muito forte. Penso que o senhor Parov seja o saxofonista, mas sem certeza. A senhora (vi agora que se chama) Cleo mexe-se muito bem em palco, puxa pelo público, canta bem. Bem feito, boa música, valeu bem a pena!


Patti Smith

Era da senhora Patti que eu estava a espera. O início foi chato. Chato que se farta mesmo! O alinhamento pareceu-me um bocado mal escolhido para festival, a rapaziada nova começou logo a dispersar dali, ou pelo menos os que ainda conseguiam. Outros aproveitaram para uma soneca. Temas desconhecido, muita pianada, muuuuita conversa sobre o amor e o futuro e a natureza e a liberdade. A coisa só ganhou realmente brilho quando a senhora Patti decidiu abrir as portas ao rock, com a Because the Night. Pena ter demorado uma hora a fazê-lo! Mas a partir daqui já não parou mais, esforçou-se por compensar o disparate feito na hora anterior. People Have the Power em jeito de hino e para o final uma versão longa e extendida de Glória, canção gamada aos Them.
Ainda houve espaço para o encore da praxe e para o final mais 10 minutos de rock, com mais um clássico: Rock 'n' Roll Nigger.


16/09

Zoufris Maracas


Há uma linha que separa o FMM Sines do Avante!. A fazer equilibrismo nessa linha estão o Zoufris Maracas. Descobri-os numa rádio, já não fui apanhado desprevenido. Musicas de intervenção com toques africanos e bom ritmo. Para o final, entre a Prison Dorée e a Un Gamin, uma invasão o vocalista apela a uma invasão de palco a que o público acedeu e acabou por ser uma bela festa.

sábado, 8 de setembro de 2012

Band of Horses - Mirage Rock


Aconselho a audição do novo álbum dos Band of Horses, Mirage Rock. Se não quiserem ter muito trabalho a arranjá-lo, peguem em músicas dos Crosby Stills Nash and Young e outras dos America e coloquem tudo em shuffle.

O que vão sentir ao ouvir isso não será muito diferente de ouvir o Mirage Rock.

domingo, 2 de setembro de 2012

OqueStrada 01-09-2012

Parvis de la Basilique de Saint-Denis

Pife na Manga, Yasmine Seydi



Um pique-nique mascarado de concerto, ou vice-versa. A ideia parece ter sido a "mairie" de Saint Denis oferecer uma tarde de final de verão aos habitantes. Para isso montaram umas quantas mesas e cadeiras no largo entre a Basílica de Saint-Denis e o edifício da "câmara municipal" lá do sítio.

Criou-se ali um ambiente muito bairrista, as pessoas foram aparecendo a partir das 19h com o próprio farnel, quer em sacos quer em cesto, e para os que não quiseram andar carregados havia duas barraquinhas a vender pastéis caseiros e grelhados. A parte das bebidas estava incluída no bolo oferecido pela organização, com uma banca a distribuir vinhaça, gasosa e coca-colas a quem quisesse.

Enquanto o cenário se ia compondo, num palco improvisado numas escadas iam tocando os Pife na Manga, um grupo de brasileiros que certamente ouviram muito Rão Kyao quando eram mais novos. Este pequeno espaço ia fazendo barulho quando no palco principal não acontecia nada.

Das 19h às 20h foi a "hora de jantar". Nesta hora estava apenas um mete-discos no palco, nada de interessante. Às oito da noite começou então o concerto duma tal Yasmine Seydi com mais 4 tipos a desfilarem clássicos da música da brasileira, que foi desde Tom Jobim até... *cof cof* Daniela Mercury.

Meter brasileiros a abrir é uma aposta excelente. Pode não estar ninguém a ver que eles fazem a festa sozinhos. Neste caso estavam talvez o equivalente a um Fazendas do Cortiço Vs São Manços.

Para as 21h30 estava então programado a grande atração da noite vindos diretamente esta tarde de "Lisbonna" como dizia o apresentador (não sei se não seria também o presidente lá do sitio). Claro, tuga que se preze não ia estar a chegar a horas, até parecia mal. Um atraso de 20 minutos, nada de muito grave, até deu tempo para as pessoas se aprochegarem.

O concerto em si não teve grandes variações ao habitual, a senhora Miranda apresentou-se com um vestido tradicional e um não menos tradicional... casaco de cabedal! Os discursos foram todos em francês-emigrante, mas ganha o prémio pelo esforço. Lá vieram as conversas que estão a empurrar os jovens para fora de Portugal e que Lisboa é muito bonita mas eles preferem a margem sul. "Pragal, ça fait mal".

Para o final, o tradicional encore com o pessoal animado a gritar "plus une, plus une". E eles lá voltaram, cantaram, agradeceram à Cristina ao Manel e ao Tónio, foram-se embora. O povo continuou com o "plus une plus une", e veio o shôr presidente pedir plus une, e plus une eles tocaram. Na falta de reportório, tocaram outra vez a Oxalá e aposto que cerca de 80% dos espetadores não percebeu que eram uma música repetida. Para o efeito também não interessava muito.



Foram-se embora outra vez, e de repente passou-se a ouvir "só mais uma!". E o shôr presidente ficou ali a tentar agradar a população, mas já se estava a fazer tarde e já não houve mais nenhuma.

domingo, 26 de agosto de 2012

sábado, 21 de julho de 2012

The Legendary Tigerman 20-07-2012

Nouveau Casino, Paris


1ª parte: Mr Lab!


 Estava à espera de encontrar uma meia dúzia de camisolas do Cristiano Ronaldo, mas na realidade não dei por um único tuga na sala (exceto eu e o Paulo Furtado, mas nenhum de nós disse uma única palavra em português), e a sala estava muito bem composta!

O "Femina" é um álbum muito bom, mas para apresentá-lo ao vivo é um quebra-cabeças. A solução passa por projetar videos com as moças a cantar. Não é uma solução que me agrade, mas até dá alguma companhia a um tipo que está sempre sozinho no palco. Sempre? Não. Para o final, última música, a referência a Daniel Johnston (que deu um concerto em Paris há 3 meses mas nenhum dos presentes acusou tê-lo visto) o bluesman de serviço sacou uma moça do público para cantar a True Love Will Find You In The End com ele. A moça não esteve mal, pena não saber a letra.

Já à saída apanhei dois ingleses na conversa. "Não estava nada à espera que fosse assim, é diferente" dizia um entusiasmado, com o amigo a concordar.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Triplejayandruiaur

Trago-vos aqui uma dupla de DJs meus amigos, cuja produção de sets é bastante agradável para o meu delicado tímpano, com sonoridades entre o electro e o funk, descontraídas, que dá para dançar sentado ou de pé, aqui e ali, sem grande alarido.


Aqui vai o segundo set desta dupla que podem encontrar em alguma festinha tranquila, ou numa mera arruada:


terça-feira, 17 de julho de 2012

Radiohead - Lucky


Agora em plena ressaca de um festival, consigo vislumbrar que finalmente concretizei o antigo sonho de assistir ao vivo a uma actuação dos Radiohead. O concerto foi memorável, extremamente profissional e ao mesmo tempo intimista. Na altura nem foi dos concertos que me encheu mais as expectativas, o que é natural, pois cada um tem a sua desejada setlist que nunca coincide exatamente com a escolha da banda, e falta sempre esta ou aquela música mais especial. Ontem e hoje tenho constantemente a música Lucky na cabeça, e nem foi daquelas com que mais vibrei, nem que mais se destaca nos meus gostos. Não sei bem porquê, ou talvez saiba, a letra é enigmática e cada um tem a sua interpretação, uns julgam-na mais pontual e palpável, outros consideram mais sentimental e metafísica. Pessoalmente vou mais na segunda leva, não deixando nunca de achar que tem mais que um sentido, e na minha vida, já representou umas e outras coisas diferentes, díspares, e até opostas. Acho-a especialmente artística, apesar de não saber a ideia de quem a escreveu, imagino algo a la Pollock, artista gráfico que deixou de dar nome aos seus quadros para não induzir as pessoas em erro, pois para ele a sua obra era ambígua, talvez até inefável, cada um repara e interpreta como quer, é um momento singular, único e pouco partilhável. Deixo-vos com a obra 1:




sábado, 14 de julho de 2012

Músicas de Filmes de Bikes - Capítulo II - Kingsley Flood

Neste segundo capítulo da saga, venho apresentar os Kingsley Flood, banda originária de Massachusetts que nos traz um rock indie com muitas influências country e folk. Os videos que circulam pela web de actuações desta banda, mostram concertos efusivos, cheios de energia, raparigas tatuadas com violinos e todas essas coisas que gostamos num concerto de final de tarde no palco principal. Têm muito potencial para serem uma grande banda, e a música que vos trago julgo ser uma boa demonstração disso mesmo. O filme é uma realização amadora e muito artesanal, onde o talento do realizador é bem notório, pois os meios são escassos, tem ar de ter sido quase todo realizado durante uma voltinha de um dia, está imaginativo e acima de tudo, mostra um sítio lindíssimo associado a um espírito livre e divertido de fazer btt.

 A banda:



A música:

Roll of the Dice by Kingsley Flood on Grooveshark


O filme:
 
The Seekers. from Filme von Draussen on Vimeo.

Ainda as "Bikes"...

Novas utilidades para as bicicletas, aqui há uns anos. Na altura penso que terá passado na televisão apenas para apresentar mais um jovem parolo.





Não vale a pena divagar sobre a personagem e a obra do Frank Zappa, é tudo demasiado grande para um post. Ficam apenas os números: 62 álbuns de originais editados enquanto vivo e mais 23 póstumos. E segundo a família ainda têm mais uns quantos em casa.

Isto significa que, seguindo os preços médios dos álbuns simples (ou seja, não duplos) do Frank Zappa na Fnac em Portugal (13.9€) seria preciso gastar 1112€ para ouvir um catálogo que reúne um pouco do melhor de muitos (todos?) os estilos de música.

We're Only in It for the Money

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Músicas de Filmes de Bikes - Capítulo I - Loch Lomond

Para abrir as hostes, tem de ser um dos meus preferidos. Segue aqui Wax & Wire dos Loch Lomond. Com uma sonoridade próxima de Sigur Rós convidam-nos a paisagens musicais completas e épicas sempre acompanhadas de vozes suaves. O filme é o Into Thin Air e retrata a conquista do topo de duas altíssimas montanhas por parte de dois amigos com as respectivas ás costas e não só, seguido das descidas. A música fica muito bem, e o filme além de ter um conteúdo muito rico, está bem feito.

A banda:

A música:


O filme:

INTO THIN AIR | engl. Subtitles from infinite trails on Vimeo.


Músicas de Filmes de Bikes - Porquê?

Vou iniciar aqui uma série de artigos relacionados com o tema "Músicas de Filmes de Bikes". Ainda que para muitos possa parecer algo muito estanho julgo que se enquadra na filosofia deste blog, e passo a explicar porquê:

Como os restantes autores sabem, pratico avidamente BTT, entre outras actividades relacionadas com bicicletas, e faço parte integrante de uma comunidade global de pessoas que partilham deste mesmo prazer. Este conceito de comunidade interliga ciclistas de todas as partes do mundo através da exposição do que mais nos interessa aqui e ali: os caminhos, as paisagens, as pessoas e até a comida. O método mais fácil de partilhar com os demais aquilo que por aqui vivemos é, neste caso, com películas de duração reduzida, onde se concentra informação, aplica-se a criatividade e acima de tudo, mostra-se o que de melhor temos que os outros tanto gostam. Costumo consumir alguns/muitos videos destes género, de venho abrir este espaço para partilhar as músicas que me chegam ao ouvido através deste meio, que tem desempenhado um papel muito grande no desenvolvimento da minha cultura musical.


terça-feira, 10 de julho de 2012

Django Django - Django Django



O disco de apresentação desta banda tem andado em repetitivas repetições repetidas em loop no zumbido dos meus headphones, ou de outra pessoas, mas sou eu que os uso. Agrada-me as influências, principalmente dos The Beta Band, e acima de tudo a mistura de sons que se traduzem em faixas muito ritmadas com vozes a lembrar os velhinhos Beach Boys.

domingo, 10 de junho de 2012

Orelha Negra - Throwback

Com o anunciado lançamento de novo disco este ano, os Orelha Negra chutam cá para fora mais um single que promete um novo trabalho com a qualidade a que nos habituaram.




Entretanto o álbum já deverá ter saído à cerca de duas semanas.

terça-feira, 5 de junho de 2012

dEUS em 2012



Estes belgas estão de volta em 2012, com o lançamento do disco Following Sea

Fica para já a ligação para o primeiro single estraído desta obra, Quatre Mains

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Venda em Modo Doação



"Olá,
Nós somos os You Can't Win, Charlie Brown e vamos representar Portugal no festival SXSW 2012 que se realiza em Março de 2012, em Austin, no Texas.
Embora em representação do nosso País num dos maiores festivais do mundo, todos os custos de deslocação, alimentação e estadia ficam ao nosso encargo. Os custos são de tal forma elevados que põem em causa a nossa presença neste festival.

Então pensámos: "Precisamos de ajuda!!!!"
Como Ajudar?"
-> ver no site oficial da banda.

Em troca de uma ajuda oferecemos um ou vários presentes:


 Valor da doação    O que temos para oferecer:
 0.01€ ≤ 4.99€   Eu ajudei*
 5.00€ ≤ 7.99€   Eu ajudei* + Poster assinado
 8.00€ ≤ 9.99€   Eu ajudei* + Poster assinado + Download de EP inédito "3:33"
 ≥10.00€  Eu ajudei* + Poster assinado + Download de EP inédito "3:33" + bilhete** 

domingo, 11 de dezembro de 2011

2011 - Retrospectiva

2011 não foi dos anos mais entusiasmantes no mundo da música. Foi o ano em que os REM anunciaram o fim, tal como os LCD Soundsystem e os White Stripes. Também a Amy Winehouse deixou de cantar, tal como o Gary Moore já não faz música, o Gil Scott-Heron deixou de protestar, o Manel Cruz abandonou o bandido e o Angélico deixou de fazer... o que quer que ele fizesse.

Sairam muitos álbuns novos, o que significa que este ainda não foi o ano da conversão do mundo da música ao mero single para meter no iTunes ou no GoogleTunes ou MSTunes por 0.99USD. Os Radiohead voltaram, mas sem grande força. Eu, como apreciador de Radiohead, fiquei desapontado por ter que esperar tanto tempo para ouvir aquilo. O King of Limbs não traz nada de novo, chega a ser aborrecido.
Acho que esta opinião não é mais generalizada porque há muita gente que nem sabe que aquilo veio cá para fora, apesar da campanha com jornais e tudo.

Também os Strokes, os TV On The Radio, os Kaiser Chiefs e a Björk lançaram álbuns  muito apagados. E os Coldplay deram-se por completo ao público RFM. A música ligeira agradece, mas as rádios foram preferindo a Adele.

Este foi o ano dos regressos! Houve uma sensação de regresso ao futuro (quando eles regressam ao passado) quando pudémos ver nas lojas álbuns novos de grandes bandas dos anos 90, como os Foo Fighters, os Red Hot Chili Peppers, os Cake ou os dEUS (e já agora uma reedição dos Nirvana).
E não apareceram os Pearl Jam porque o próprio Eddie Vedder já deve estar farto daquilo e quer fazer as coisa sozinho, com um ukulele. Ou podemos ir ainda mais para trás, para vermos nomes como os Yes, os Status Quo, Neil Young, Tom Waits, Stevie Nicks, Paul Simon, e a reedição integral dos Pink Floyd.

Neste ano tivémos também as notícias dos regressos aos palcos dos Stone Roses e dos Black Sabbath, mas sem material novo anunciado. É só para fazer uns trocos, que isto da crise toca a todos. E é também por causa da crise que começámos a ver ver outras coisas menos entusiasmantes com músicas novas, como as The Bangles e os New York Dolls,  Gang of Four e o Meat Loaf na secção dos 80s, os Nickelback, Take  That, os Limp Bizkit, os Blink 182, Megadeath, os Bush os Aqua os Incubus na secção dos 90s, e ainda... Scorpions, intemporal!

Mas os regressos inesperados não vêm só lá de fora. Voltámos a ouvir falar da Lúcia Moniz, do Miguel Gameiro, do Marante e do Emanuel, do (ex-pequeno) Saúl, do Paulo Gonzo e agora mais para o fim o anunciado regresso do Santamaria!!

Já nos nomes consagrados da Pop nesta última década, as caras que nos têm habituado a aparecer todos os anos apareceram outra vez em 2011, e lá voltámos a ouvir a Lady Gaga, a Beyonce, a Rhianna e a Shakira. Com a mesma qualidade musical a Britney Spears voltou em força, o Justin Bieber ainda existe e o Ricky Martin reapareceu com um ar mais leve e solto com um arco-iris por cima.

Mudando drasticamente, Fleet Foxes mandaram cá para fora o fabuloso 2º álbum, Helplessness Blues.
Para a imprensa da especialidade, melhor que eles só a PJ Harvey e pouco mais.

Em 2011 pudémos assistir à (con)fusão entre a música e o cinema: tivemos um realizador, David Lynch, a fazer música indie/electro/pop, curiosamente muito mais fácil de ouvir do que ver os filmes dele, enquanto o médico da casa, Hugh Laurie, mostrou o lado mais melancólico num álbum de blues à moda antiga.

Por Portugal o Sérgio Godinho voltou com um álbum igual a todos e o Jorge Palma com o álbum romântico, muito bom para a legião de fãs do Encosta-te a Mim. No caso dos GNR decidiram apostar em remasterizações de tralha antiga. Os Clã também lançaram um album novo tal como o JP Simões com Afonso Pais, e mais um regresso: os Quinta do Bill.

Os dois grandes álbuns portugueses de 2011: Lisboa Mulata dos Dead Combo e Chromatic dos You Can't Win Charlie Brown. O Sean Riley e os Slowriders também apresentaram um álbum bastante decente e o prémio inovação vai para os The Gift, que passaram de banda "dark" a banda "hippie".

Contudo as rádios preferiam dar airplay aos Golpes e aos Amor-Electro...

Ainda em Portugal, sem nenhum álbum editado e vindo do nada aparece We Trust, com uma música repetitiva mas agradável que o Cristiano Ronaldo usou num video que fez dedicado aos verdes anos.

Os supergrupos descobrem que isto não basta ter nome, é preciso trabalhar. E assim pode-se falar dos projectos falhados dos Superheavy (Mick Jagger com Joss Stone e Damien Marley), os Metallica com o Lou Reed, que para tentar promover o projecto novo andaram tocar Velvet Underground, e os portugueses Movimento, de Olavo Bilac e Gomo, só de versões.

No campo dos concertos, pudémos assistir ao regresso do Roger Waters a apresentar o The Wall, o regresso dos Portishead, e os Arcade Fire outra vez no SBSR. Outros momentos de referência ao vivo foram os regresso dos Bon Jovi ao parque da Bela Vista, no ano em que o Rock in Rio voltou para o Rio de Janeiro, e de Britney Spears ao Pavilhão  Atlântico, aparentemente sem playback. O Billy Corgan continua a insistir que os Smashing Pumpkins são ele e mais 3 macacos, e voltou a Portugal para apresentar o seu devaneio sobre a banda.

Já perto do final do ano o fado foi declarado Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, seja lá o que isso for. Mas os fadistas ficaram muito felizes, portanto acredito que seja alguma coisa muito boa. A partir de agora devem ter direito a croquetes nos bastidores ou assim... não sei. Temos ainda o Mourinho, que está para a música como o Albero João Jardim está para o continente, mas mesmo assim foi capa da Rolling Stone espanhola.

Mas nem tudo é mau: o próximo ano só pode ser melhor, e este já está quase a acabar!

Injustiças

12 Extremely Disappointing Facts About  Popular Music:

http://www.buzzfeed.com/daves4/12-extremely-disappointing-facts-about-popular-mus

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Impulsive Habitat


Esta editora sediada na internet disponibiliza a obra dos seus artistas de forma gratuita. Entre os sons destacam-se géneros como música concreta, ambiente e experimental. Vale a pena dar uma vista de olhos ao seu website, que está bastante agradável e cedo nos espeta com uma dose de agradáveis sonoridades pela cabeça a dentro.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Nouvelle Vague - Band à Part


Venho aqui desenterrar um clássico da música do século XXI. Com 5 anos de vida, este álbum sabe sempre a fresco acabadinho de colher devido ao extremo bom gosto presente nos arranjos, sonoridades, vozes e escolhas musicais. Pegando em músicas dos mais diversos recantos do nosso espectro musical, reúne grandes temas de enormes bandas totalmente mistificados numa aura lounge-jazz-chill levando qualquer um a entrar no ritmo e cantarolar muitas das faixas. Acima de tudo faz-me lembrar o valor que as versões originais têm e a forma como são brutalmente adulterados é inadvertidamente agradável! Recomenda-se como pano de fundo de uma paisagem a que possamos chamar Casa.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Vai um passinho de dança?




Duas faixas muito dançáveis oriundas desta e da outra margem do Atlântico!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

cenas

Há uns meses comecei a escrever este texto, mas só agora me lembrei dele, e pareceu-me a altura indicada para o disponibilizar. Apenas tratei de o rematar com umas pequenas frases e voilá:

Querem à força toda que sejamos culpamos ou pelo menos sintamos alguma culpa quando descarregamos “ilegalmente” música da internet. E foi esta conjectura que me levou a tentar desabafar o meu descontentamento com esta situação. E é a ouvir um disco sacado ilegalmente da internet que estou a escrever.

Há mais de uma década que lido diariamente com essa situação, sempre foi um acto natural no meu quotidiano e inclusivamente uma das razões que me levou a ter internet. A música, além de uma arte, é uma cultura, uma forma de viver, por vezes viciante, outras vezes somente um entretém. Pode conter ideias profundas de um lado e batidas extasiantes do outro. Durante um largo período da minha vida foi possivelmente o meu maior interesse, lá estava sempre eu entusiasmado para saber o que estava a sair de novo. Foi através desta arte que tomei conhecimento das culturas modernas anteriores à minha nascença, da história da nossa sociedade no último século, das modas e movimentos que mudaram a forma de encararmos a vida.

Todo este rico conhecimento chegou-me (ou devido a),segundo dizem, através de um crime. Pois de facto estava a roubar trabalho a quem se esforçou para o fazer, e dele necessita para brotarem os seus rendimentos. Sempre foi isto que absorvi dos media, esta ideia de que faço parte de uma geração de ladrões, crápulas parasitas que não olham a meios e que obtém o que desejam através de um frio click no rato.

Por outro lado também sempre andei teso, tesinho da carteira, a contar os tostões, e quando fazia contas à vida reparava que os meus interesses capitalistas eram essencialmente ir a concertos, e era esta a grande fonte dos meus gastos. No fundo, estoirava o dinheiro todo em música, inclusivamente até comprava os bilhetes para espectáculos em lojas físicas. Por vezes pergunto-me como me aceitavam como cliente, ao verem aquele grande rótulo na minha testa, com letras coloridas e cores bem vivas onde se podia ler “LADRÃO DE ARTE”. Por outro lado percebo, até o dinheiro do ladrão é bem vindo aqui na terra do capitalismo selvagem. Mas não é por aqui o caminho deste texto.

A ideia que desejo transmitir centra-se factualmente na discrepância e dessintonia entre a evolução da indústria musical e a evolução da sociedade. E não confundir a sociedade com as pessoas, porque estas últimas evoluíram como a indústria musical, adaptando-se às reformas tecnológicas e económicas como bem se pretende. O nosso problema é que a forma de se vender música mudou, disso não há dúvidas, as leis e mentalidades é que se mantiveram conservadas em óleo de fritos. Hoje em dia ouvimos muito mais música, somos mais cultos, e inclusivamente temos maior espírito crítico e solidário. E nem por isso gastamos menos dinheiro. Gastamos é de maneira diferente, e até acho que gastamos mais. Os músicos não estão mais pobres,nem me parece que apareçam menos artistas novos, simplesmente o dinheiro está cada vez mais canalizado para promotoras de espectáculos ao invés das famosas editoras de discos. Quero com isto concluir que ao contrário das nossas gerações mais novas, quem não se adapta são aqueles que não têm realmente o gosto intrínseco pela música, apenas pelo negócio. E para alguns desses, parece que se está a acabar a árvore das patacas.